O movimento de empresários brasileiros em direção aos Estados Unidos ganhou escala nos últimos anos e aparece de forma clara nos números. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que o estoque de investimentos brasileiros no país chegou a US$ 22,1 bilhões, crescimento de mais de 50% em uma década. Apenas entre 2020 e 2024 empresas do Brasil anunciaram mais de US$ 3,3 bilhões em novas operações, com presença em ao menos 23 estados americanos.
O avanço ocorre em um momento de maior rigor na política migratória, mas também de sinalizações positivas para quem investe e gera negócios. Segundo a CNI, quase 3 mil empresas brasileiras mantêm algum tipo de investimento nos EUA, com destaque para os setores de alimentos e bebidas, tecnologia, serviços, indústria de transformação e energia.
Para Bruno Lossio, especialista em direito imigratório e mobilidade global da SLS Legal, empresa referência em consultoria de imigração americana, o interesse crescente tem explicações econômicas, mas exige cautela.
“Empreender nos Estados Unidos significa atuar em uma economia estável, com moeda forte e alto poder de consumo. Isso aumenta a previsibilidade e o potencial de crescimento, mas também cobra preparo. Sem entender regras fiscais, culturais e, principalmente, o visto adequado, o risco é alto”, disse Lócio.