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O varejo brasileiro vem passando por muitas mudanças nos últimos anos, sendo o segmento de mercado que mais sofreu alteração na sua forma de operação, seja pela mudança do hábito de consumo do cliente, pelo uso da tecnologia aplicada ao varejo e, principalmente pelas mudanças estruturais no mercado brasileiro, que elevaram os custos do produtos de um modo geral, os quais tiveram que ser repassados para o consumidor, tornando os produtos brasileiros, notadamente do segmento de moda, totalmente fora da realidade em comparação a outros mercados.
As vendas no varejo que vinham crescendo acima da PIB nos últimos anos, em 2014 reduziu o ritmo, e a previsão para os próximos meses de 2015 é continuar essa tendência. O varejo de serviço continua em plena ascensão, inclusive com aumento de preços, o que vem pressionando a inflação para fora meta do governo, uma das razões da mudança da política econômica do segundo mandato da presidenta Dilma, com o aumento de juros da taxa Selic e outras medidas de restrição do consumo, o que afeta diretamente a performance do varejo. . Por outro lado, o varejo de produtos vem caindo muito nos últimos anos, principalmente os produtos destinados ao público das classes A e B do segmento de moda.
Na nossa opinião os lojistas que atendem o referido público, tem enfrentado as maiores dificuldades, pelos seguintes motivos:
O aumento do custo de locação que vem ocorrendo nos últimos anos, principalmente nos shoppings posicionados para atender ao público em questão , em função do Degrau (percentual de aumento acima do IGP-M de 10% a cada 24 meses), incidente nos contratos de locação e, em consequência, os pontos de ruas das áreas nobre da cidade, também tiveram aumento muita acima da inflação, tornando esses custos totalmente fora da realidade. Por Exemplo: se o valor de um contrato locação assinado em outubro de 2004 no valor R$1000,00, fosse corrigido somente pela variação IGP-M, o valor atual seria de R$1.685,79, o que significa um aumento de 69%. O mesmo valor corrigido pelo IGP-M, no mesmo período, com a aplicação do degrau (mais 10% a cada 24 meses), o valor atual seria de R$2.714,98, ou seja, 171%, o que corresponde a um aumento de 102 pontos percentuais acima do IGP-M;
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Período |
Correção pelo IGP-M |
Correção pelo IGP-M com degrau |
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2004 |
R$1000,00 |
R$1000,00 |
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2014 |
R$1685,79 |
R$2714,98 |
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Variação |
69% |
171% |

A abertura de diversos novos centros de compra nos últimos anos, dentre os quais podemos destacar: Shopping Village Mall, Shopping Metropolitano, Shopping Américas, Shopping ParkShopping Campo Grande e outros de menor porte, além da expansão dos shoppings existentes, como o BarraShopping, que acaba de concluir sua 17a expansão;
O crescimento de venda no E-commerce, dentro e fora do país, principalmente o segmento de calçados , esporte e moda de um modo geral. Produtos comprados pela Internet no exterior, mesmo pagando todos os impostos ainda chega ao consumidor brasileiro, com preços menores do que os praticados nas lojas físicas;
A aumento do número de pessoas das classes A, B e C, que estão tendo a oportunidade de viajar para o exterior e experimentar os preços dos produtos de moda, que são extremamente mais barato do que no Brasil. Essas pessoas passaram a perceber o quanto os preços no Brasil são caros e estão fazendo as suas compras no exterior. Prova disso é que os consumidores brasileiros são os grandes compradores no varejo americano, com as lojas sempre lotadas de brasileiros e os vendedores tendo que falar o nosso idioma, o português, como forma de sobrevivência no varejo americano. Para se ter uma ideia, as compras de brasileiros no exterior pularam de $2,1 bilhões de dólares em 2003, para mais de $25 bilhões de dólares em 2013.
Aumento da oferta de crédito e a facilidade de compra de outros produtos, como carros, apartamentos, eletro eletrônicos sempre com lançamento de novos modelos no mercado, o que incentiva a compra desses produtos, aumentando o endividamento da população e reduzindo a compra de produtos do segmento de moda.
Dentro desse cenário ou dessa realidade, bem como pela entrada de grandes operações de varejistas globais no mercado brasileiro, será exigido do empresário local, mudanças profundas na forma de gestão de seu negócio, dentre as quais destacamos as seguintes:
Ser muito mais criterioso no processo de expansão do negócio, notadamente na abertura de novas lojas próprias, que exige estudos muito mais profundos sobre a viabilidade do negócio atual e as ameaças futuras, num mercado em constante evolução como o brasileiro;
Conhecer profundamente os seus clientes para poder entender para atender as suas necessidades e expectativas em constantes mudanças, para oferecer o produto certo e com alto padrão de atendimento e serviços;
Melhorar a gestão de uma forma geral visando o ganho de competitividade do negócio, com o aumento de produtividade nas diversas áreas funcionais da empresa;
Focar num determinado público alvo para poder reduzir a variedade de produto e aumentar a profundidade do estoque, para ganhar no giro, tendo em vista a grande dificuldade de recomposição de margem, no mercado de custos crescentes e venda decrescente;
Investir em qualificação de pessoal e tecnologia da informação, dois fatores fundamentais para a melhoria da produtividade no mundo atual;
Pelos fatos expostos, podemos afirmar que os próximos anos não será fácil, como nunca foi, para os empresários varejistas que atendem o público melhor posicionado na escala social, exigindo muito trabalho, dedicação e atenção especial na gestão do negócio, para poder manter a sua empresa sustentável, de acordo com o critério atual:

Juedir Teixeira
É professor (FGV e UCAM), consultor
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